top of page

Papo sobre amamentação

  • Foto do escritor: Bruna Da Costa Pereira
    Bruna Da Costa Pereira
  • 21 de fev. de 2025
  • 5 min de leitura

Bom, depois de alguns (vários) dias sem escrever aqui, estou de volta! E voltei com um assunto super importante para as gestantes, mamães e bebês: a amamentação

Outro detalhe: dessa vez, não estou sozinha. Este post foi desenvolvido em parceria com Heliane Leite, mãe de dois, enfermeira e consultora em amamentação. Eu e Heliane nos encontramos de maneira online para uma conversa cheia de informação, trocas de experiência e acolhimento. Foi incrível! 

Nosso encontro ocorreu no dia 03 de janeiro. Demorei um pouco para publicar, né? Mas, antes tarde do que nunca. Vida de mãe, vocês sabem como é. Conheci a Heliane através do grupo de Whatsapp ‘Mães em Movimento’, da Simone Alves, que é Bióloga (como eu) e Doula. Grupos como esse podem ser uma importante ferramenta de união e apoio entre mães. 

A vídeo chamada com a Heliane durou mais de quarenta minutos! A conversa foi realmente muito boa. Sou suspeita, né? Falar (e escrever) sobre maternidade é minha grande paixão. Comecei nosso bate-papo agradecendo-a pelo aceite. E já fui logo desabafando, porque a amamentação (principalmente o início) foi bem desafiadora para mim.

Amamentei a Júlia por 1 ano e 4 meses. O desmame foi abrupto (ponto para a culpa materna). Resumindo, passei um produto nos seios e disse que estava “dodói”. Na época, estava exausta e pensei que o desmame seria a solução. Eu não precisava desmamar minha filha. Precisava de descanso. Enfim, arrependo-me da forma que conduzi aquela situação. 

Com a Manuela decidi fazer diferente. Consegui amamentá-la por 2 anos e 2 meses. Dessa vez, eu não interferi no processo (não diretamente). Na época, eu ainda estava no mestrado e viajava a cada quinze dias, por isso, não posso dizer se o desmame foi natural ou se sofreu interferência de minhas ausências (culpa 2 X 0 Bruna). 

Durante meus dois puerpérios, sofri com a ansiedade pela “descida do leite” nos primeiros dias. Com a Jú, cheguei a dar chazinho (vejam o tamanho do desespero). Nem pensei nessa hipótese com a Manuela, porém, pensei em fórmula. Achava que não tinha leite suficiente para alimentar minhas filhas. Passados esses terríveis dias, a amamentação fluiu bem. Jamais vou esquecer a maravilha que eram aqueles olhinhos concentrados em meu rosto. 

Heliane também compartilhou comigo suas dificuldades durante o início da amamentação de seus dois filhos. Realmente, os primeiros dias são desafiadores. Um momento de adaptação entre mãe e bebê. E foi exatamente por isso, por perceber o quanto amamentar pode ser uma tarefa árdua, que ela decidiu se especializar em aleitamento materno. Heliane auxilia mulheres que querem amamentar e encontram dificuldades nesse processo. 

Certa vez, ouvi a frase: informação liberta. Essas palavras podem resumir as orientações passadas pela Heliane para as gestantes e mamães. Conversamos sobre a importância da mulher receber informações atualizadas e baseadas em evidências científicas desde o pré-natal e como isso pode minimizar as complicações na amamentação. 

Devido sua experiência como enfermeira e consultora em amamentação, Heliane citou que, além das dificuldades dos primeiros dias, algumas mulheres podem passar por obstáculos depois de ocorrer a “descida do leite”. Segundo ela, nesse momento, o corpo da mãe ainda não entendeu a quantidade necessária de leite a produzir (depende da demanda do bebê) e pode ocorrer uma hiperlactação. Alguns problemas ocasionados por essa condição são as fissuras e dores nos seios. 

Falamos também sobre um fenômeno da maternidade cansativo e rotineiro: bebê grudado no peito o dia todo. Quem nunca, né? Heliane explicou que isso ocorre por causa do tamanho do estômago do recém-nascido. A quantidade de leite ingerida é pouca, por isso, precisa acontecer várias vezes ao dia. Tá vendo? É normal e não acontece só aí. 

Ainda, comentamos sobre os benefícios do aleitamento materno, tanto nutricional quanto emocionalmente. Afinal, peito não é só alimento; ele é segurança, aconchego, acolhimento, cuidado e amor. Você já reparou como os bebês se acalmam rápido quando mamam?

Por fim, Heliane desmistificou o fato de algumas mulheres pensarem que terão dificuldades na amamentação devido ao tipo de mamilo. De acordo com ela, isso não influencia, já que o bebê deve abocanhar a aréola para mamar e não o bico do seio. É importante ressaltar que a pega correta do bebê na mama pode tornar o período de amamentação muito mais tranquilo.

Ao fim de nossa conversa, não do assunto, nos despedimos com a promessa de continuarmos o diálogo em outros momentos. Torna-se necessário quebrar tabus sobre a amamentação e levar informações baseadas em evidências a cada vez mais mulheres.

Espero que este texto te ajude de alguma forma, que torne seu maternar mais leve. Desejo que seus dias sejam belos e suas noites bem dormidas. Se você está gestante, prepare-se e estude bastante. Caso você já esteja com seu pacotinho de amor aí no colo, aproveite. 

A amamentação é uma fase incrível. São dias difíceis. E encantadores. Seu colo será o preferido. Seu cheiro, calmante. Seu corpo produzirá o melhor alimento para o seu bebê. Um dia, você sentirá falta desses dias intensos. E daquele cheirinho de leite vindo da boquinha do seu filho. 



Dicas importantes para aumentar as chances de uma amamentação de sucesso:


  • Você não precisa passar algo para “preparar” a mama; esponja, toalha, cremes. 

  • Nenhum tipo de produto ou atrito deve ser realizado nos mamilos; 

  • Durante a gestação e pós parto, use sutiãs confortáveis para evitar atritos com a pele; 

  • Não existem evidências que comprovem que tomar sol na região dos seios oferece algum benefício; 

  • O colostro (leite dos primeiros dias) é muito importante e rico em anticorpos, o bebê precisa dele para seu desenvolvimento e imunidade; 

  • O estômago do bebê é pequeno, por isso, é normal que ele fique no peito várias vezes durante o dia; 

  • Tenha uma rede de apoio alinhada com suas expectativas (a favor do aleitamento materno);

  • Confie no seu corpo, seu leite não é fraco, ele é o melhor alimento para seu bebê;

  • Espere esvaziar completamente uma mama para, só então, oferecer a outra; 

  • Peça ajuda, delegue tarefas e foque em sua amamentação; 

  • Evite chupeta ou mamadeira, pode ocorrer confusão de bico;

  • Descanse sempre que possível;

  • Se puder, contrate uma consultora em amamentação desde a gestação. 


O aleitamento materno é uma das prioridades do Governo Federal. O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e que nos primeiros 6 meses, o bebê receba somente leite materno (aleitamento materno exclusivo), ou seja, sem necessidade de sucos, chás, água e outros alimentos. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito da mãe, melhor para ele e para a mãe. Depois dos seis meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos saudáveis e próprios dos hábitos da família, mas não deve ser interrompida.

 
 
 

Comentários


bottom of page