Sem rodinhas : equilibrando minha filha, minha vida e a bicicleta
- Bruna Da Costa Pereira
- 2 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Senta que lá vem textão. Depois de mais um tempo sem conseguir escrever, estou aqui de volta. Espero que esteja tudo bem com você, querida leitora. Hoje vou contar uma história de superação, daquelas que nos fazem ter orgulho de nossa trajetória. Você vai entender como uma simples bicicleta me fez sentir tanto medo e insegurança.Â
Bom, para quem ainda não sabe, eu me separei do pai da Júlia quando ela tinha quatro anos de idade. Desde então, sempre vivemos sozinhas, eu e ela. Entre erros e acertos, fiz o que pude para atender as necessidades dela. Quando ela tinha aproximadamente seis anos, chegou na fase de aprender a pedalar em um bicicleta sem rodinhas.Â
Dessa forma, todas as tardes, ficávamos na calçada de casa para que a Júlia treinasse o equilÃbrio. Eu ia segurando no banco da bicicleta e ela pedalando. Como qualquer iniciante aprendendo algo, minha filha teve dificuldades e por vezes se desequilibrava. Então imagine a força que a mãe tinha que fazer para segurar a criança e a bicicleta e evitar uma queda.Â
Após alguns dias, fiquei cansada. Na verdade, exausta mesmo. Parecia que meu esforço não era suficiente. Eu me questionei se conseguiria mesmo ajudar minha filha naquela situação. Cheguei a pensar que não deveria ter me separado, que precisaria de um homem para certas funções…Enfim, um sentimento de impotência tomou conta de mim.Â
Talvez não fosse apenas pela bicicleta. Nem pelo cansaço daquele momento. Possivelmente, o esforço que eu fazia para tentar manter tudo em equilÃbrio estava além do que suportava. Quando digo isso, já nem sei se estou falando da bicicleta sem rodinhas. Ou do excesso de trabalho. Da sobrecarga. Dos julgamentos. Das contas para pagar. Ou de tudo isso junto.Â
Lembro-me que naquela época, vivi dias intensos e desafiadores. Trabalhava bastante para conseguir uma renda maior, dependia de familiares para ficar com a Júlia quando eu estava trabalhando. Buscava ser melhor para minha filha, mais paciente e acolhedora. Porém, fazia isso me julgando muito e cobrando uma perfeição que eu jamais alcançaria.Â
A verdade é que nem sei como sobrevivi à s cobranças e julgamentos (meus e alheios). Parecia que eu estava prestes a explodir. Sempre querendo dar conta de tudo, controlando (ou tentando) todas as situações. Sentia que não poderia falhar. Acontece que falhamos. Viver é arriscado. Aceitar nossa humanidade e assumir nossas fraquezas nos torna mais fortes.Â
Hoje vejo o quanto deixei de olhar para minhas conquistas enquanto estava vivendo no automático. É difÃcil perceber a grandeza das nossas relações enquanto estamos tentando sobreviver. Minha insegurança fez com que eu duvidasse das minhas virtudes. Questionei minha forma de maternar, cogitei a possibilidade de não ser suficiente para minha filha.Â
E, no fim, eu estava errada. Sou mais forte do que pensava. Consegui segurar a Júlia e a bicicleta por mais alguns dias. Até que, de repente, minha filha começou a pedalar sem minha ajuda. Enchi-me de orgulho. Fiquei extremamente feliz. Por ela e por mim. Ela conseguiu. Eu a ajudei. Nós encontramos o tal equilÃbrio. Na vida. Não só com a bicicleta.Â
Espero que essa história te mostre o poder de uma mãe. Que demonstre a força existente em cada uma de nós. Às vezes, algo acontece, e logo nos julgamos e nos sentimos a pior pessoa do mundo. No meu caso, foi uma bicicleta sem rodinhas. Com você, pode ter sido parto, amamentação, birras ou quaisquer outros desafios da maternidade.Â
Faça o possÃvel para não se culpar, tá? Farei isso também. A maternidade já exige tanto de nós, não é? Não precisamos deixar o fardo ainda mais pesado. Respire fundo. Amanhã será um novo dia. Desafios virão. E passarão. Se você fizer o seu melhor, já estará realizando o extraordinário.
Entre pesos e desequilÃbrios, fraqueza e força, conquistas e derrotas, vamos achar o equilÃbrio.