Nada além de saudades
- Bruna Da Costa Pereira
- 21 de set. de 2025
- 2 min de leitura
No último dia 19 foi aniversário da minha mãe. Seria. Pois ela faleceu há oito anos. A ausência dela é uma presença constante em minha vida. Sinto falta em cada detalhe, em cada lembrança. Não é fácil aceitar que nunca mais verei quem tanto amei. Nada de abraços, beijos, conversas e nem risadas. Nada.
Onde antes havia barulho, festa e comemoração, agora reina o silêncio. O preparo do bolo e dos salgadinhos deu lugar a um luto sem fim. A vontade de ligar, de ouvir sua voz, de dividir pequenas coisas do dia, continua. Saudade que aperta. Choro que insiste. Consolo que não chega. Dói saber que nada será como antes.
Minha mãe tinha uma risada única, só dela, que não ecoa mais. Mas ainda ouço em minha memória os dias em que cantávamos e dançávamos na sala de casa, usando o controle remoto como microfone. Era o nosso show particular. Era o nosso momento de brilhar.
Guardo detalhes que parecem vivos: o cheiro inconfundível da sua pele, os cachos macios, a gargalhada alta, o jeito carinhoso de ajudar quem precisava, até as broncas. Tudo o que ela era. É. Ou foi.
Sinto uma falta que nenhuma outra ausência trouxe. Mãe, eu gostaria de te apresentar a Manuela. Ela é falante e risonha; vocês se dariam muito bem. Queria que visse a Júlia, hoje uma adolescente incrível. Queria te mostrar como mudei. Melhorei.
Mas o “queria” não se realizou. Desde aquele 17 de agosto de 2018, sua presença física se apagou. Ainda assim, você segue em tudo: em mim, minha casa, na criação das minhas filhas, nas minhas irmãs, na forma como enxergo o mundo.
A sua partida foi cedo demais, e isso me quebrou em mil pedaços. Só que em muitos deles ainda há você — sua luz, sua voz, sua vontade de viver. Por mais cruel que o câncer tenha sido, nunca será apagará sua memória.
Daqui para sempre, conviverei com a saudade. Saudade do que vivemos e também do que poderíamos ter vivido. Há oito anos tento aprender a seguir. Sigo. Não como gostaria, mas como consigo. Levando comigo cada lembrança, cada palavra, cada gesto.
Mãe, há tanto de você em mim. Você continuará em tudo. Enquanto vivo com a certeza do nada. Nada além de saudades.