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Calma, sua raiva tem uma história

  • Foto do escritor: Bruna Da Costa Pereira
    Bruna Da Costa Pereira
  • 11 de dez. de 2024
  • 2 min de leitura

Vem cá, você é do tipo impaciente, estourada, estressada, pavio curto ? Por isso, sente-se culpada, aflita, triste e já se convenceu de que é a pior pessoa do mundo ? Então, este post é para você. Quero dizer, para mim também.

Infelizmente, desde muito nova, recebi o rótulo de "pirracenta". Ou "birrenta", como estamos acostumados a ouvir. Lembro-me da história que minha mãe sempre contava: eu e ela no centro da cidade, eu quis uma boneca, não ganhei, chorei, joguei-me ao chão, ela me deixou para trás, comecei a andar de joelhos pela calçada, todos me olharam, antes de chegar em casa, apanhei.

Porém, o que ela não percebeu foi a perspectiva da criança naquela situação: três aninhos de idade, havia acabado de ver os pais se separando, estava angustiada, cansada, viu uma boneca linda, pediu, ouviu um não, seu cérebro imaturo não aceitou, chorou, quis um colo, não conseguiu, não foi ouvida, deixou a mamãe com raiva, apanhou, aprendeu. Aprendeu que ao se expressar, é punida. Parece injusto, não é?

Na vida adulta, dentre tantos outros sentimentos que me incomodavam e que mencionei na terapia, o sentimento de injustiça sempre esteve presente. A sensação de não ser ouvida, respeitada ou valorizada continuava me assombrando, na relação com a minha filha, no meu casamento. Agora, adivinhe como eu manifestava o que estava sentindo? Com raiva, é óbvio.

Acostumei-me a sentir raiva. Tinha muita dificuldade em me relacionar. Em discussões, escondia o que sentia. Ou me expressava de maneira desrespeitosa, ou engolia e fingia não sentir. A raiva era a minha (única) forma (errônea) de comunicação.

No entanto, em um processo de cura, com terapia e pela construção de relacionamentos saudáveis com minha família, comecei a identificar a origem de tanta raiva. Mais que isso, ouvi a história que minha raiva queria contar. A minha história de vida. Com a psicóloga, relembrei momentos da infância e adolescência, revisitei memórias dolorosas, percebi que nem toda historinha que minha raiva contava, era real.

Resumindo, eu havia aprendido que, não fosse gritando ou ofendendo, não seria ouvida. Não expressava meus sentimentos por julgar não serem importantes. Dessa forma, fui me tornando minha pior inimiga. Meu discurso interno era rígido, autoritário e cruel, tal qual aprendemos a ser com a educação tradicional. No fundo, nunca fui a pior pessoa do mundo, apenas não possuía inteligência emocional.

Experiências do passado, estavam destruindo o meu presente. Ainda, ameaçando meu futuro. Foi necessário que eu curasse minha feridas para que não continuasse sangrando em quem não me havia me machucado.

A verdade é que a raiva ainda continua aqui. Assim como todos os outros sentimentos que posso e devo sentir. No entanto, precisei aprender a me ouvir, acolher, validar o que sinto, reconhecer meu esforço e não me julgar tanto por meus erros. É impressionante como nossa história pulsa dentro de nós. Cada marca, trauma e desconfortos se tornam aprendizados que nos acompanham pelo caminho.

Nosso sentimentos sempre têm algo dizer. Escute-os. Caso você tenha sido rotulada de "birrenta" e, atualmente, incomoda-se com os frequentes descontroles emocionais, procure ajuda. Terapia, se puder. Saiba que você não é uma pessoa ruim. Sua raiva é manifestação do que aprendeu na vida. Analise. Esteja atenta para qual história sua raiva quer te contar.



 
 
 

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