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Como nossos pais (?)

  • Foto do escritor: Bruna Da Costa Pereira
    Bruna Da Costa Pereira
  • 21 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura

Quantas vezes, na infância, presenciamos certas atitudes de nossos pais e julgamos, dizendo: “quando eu tiver filhos (as), jamais farei isso. Serei totalmente diferente”, não é mesmo? 

Acontece que, na vida adulta, percebemo-nos repetindo quase tudo que vivenciamos quando crianças. Mesmo sem intenção, lá estamos nós, gritando, castigando e batendo. Fazendo tudo o que juramos que não faríamos. 

Obviamente, é bem mais fácil seguirmos os padrões que conhecemos. Por isso, mesmo com as melhores intenções, acabamos tratando nossas crianças como éramos tratadas (os). Assim, seguimos replicamos várias violências. 

Nada me alegra mais que compartilhar minha mudança e tentativa de fugir do padrão da Educação Tradicional. Busco, com minha história, inspirar mães e pais (quiçá, a sociedade) a enxergar a criança como uma pessoa digna de respeito, acolhimento e amor. 

Compartilho aqui histórias dolorosas e memórias difíceis de serem acessadas, exatamente para demonstrar a crueldade com a qual criamos filhos (as). Crueldade e violência que são normalizadas por boa parte da população. O que facilita a perpetuação. 

Experimente o seguinte discurso: “meu marido me bate, mas é só quando eu mereço. Ele só quer o meu bem, está me educando.” Soa estranho ? Então diga que bateu no seu filho para “educá-lo". Dificilmente alguém irá te corrigir ou denunciar. Tá vendo? 

Agora, pense em um relacionamento onde a pessoa grita, ignora seu querer, menospreza sua dor, não acolhe seu choro e usa de chantagem para conseguir o que quer. Você viveria com essa pessoa ou a abandonaria? Pois é, a criança não tem a opção de abandonar. 

Cada vez que você trata uma criança mal, ela não deixa de te amar. Ela deixa de amar a si mesma.

Há um tempo, quando a Júlia tinha uns seis anos, eu li uma frase que dizia: “se você tratasse seus amigos como trata seu filho, quantos amigos você teria ? Naquela época, era provável que eu ficasse sem amigos. Porque nenhum adulto aturaria tanto desrespeito. 

O fato de a criança ser vulnerável e dependente dos pais funciona como uma “carta branca” para despejarmos nelas todo nosso lixo emocional. Por exemplo, depois de um dia cheio, você não explode com seu chefe, certo ? Mas e com seus filhos ?

Enquanto não olharmos para dentro e assumirmos nossos erros no relacionamento com as crianças, não haverá mudança. Se sempre buscarmos desculpas como a sobrecarga, falta de paciência e estresse, continuaremos machucando quem mais amamos. 

Reconheço que são vários os motivos envolvidos e que as responsabilidades da vida adulta podem mesmo nos tirar do equilíbrio. Porém, precisamos nos responsabilizar nas relações com os filhos. Ao assumirmos nosso papel de adulto, buscaremos caminhos melhores. 

Percebam que estudamos para exercer nossas profissões, já para criar filhos, acreditamos no instinto. O perigo de seguir o instinto é que nem sempre temos modelos respeitosos marcados em nossa história. Dessa forma, perpetuamos apenas o que sabemos. 

Diante disso, se você tem o desejo de criar laços de amor e amizade com sua criança, se pretende ser a pessoa de confiança dela, construa uma boa relação agora. Esqueça os padrões violentos. Ignore os palpites. Atente-se a necessidade do seu filho. 

Ouvimos por aí que filho não vem com manual. De fato, não vem. No entanto, nem precisaria. Porque o que mais importa não está escrito em canto algum. A lição mais bonita que você aprenderá na vida será ensinada por seu filho, seu pequeno (grande) mestre. 

Em sua frente, há um ser humaninho incrível. Não deixe que as marcas do passado te impeçam de ver a pureza e a beleza de sua criança. Essa pessoinha cheia de vida, curiosa e amorosa chegou para te despertar. Aproveite a oportunidade!


Se você não tratar suas feridas, continuará sangrando em quem não te machucou.

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