Dia Internacional da Mulher
- Bruna Da Costa Pereira
- 8 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Hoje é celebrado o Dia Internacional da Mulher, e passei um tempo refletindo sobre o que escrever. Entre tantas possibilidades de temas, uma preocupação se destacou: o futuro das minhas filhas. Como mulher e mãe de duas meninas, o que sinto nesse dia é medo.
Medo de não saber como elas serão tratadas em um relacionamento amoroso. Angústia por imaginá-las em uma situação de perigo. Aflita por não poder protegê-las o tempo todo. Sinto-me impotente diante dos alarmantes dados de violência contra a mulher no Brasil.
Podemos, sim, educar nossas meninas de maneira respeitosa, para que saibam o que esperar e o que não aceitar em uma relação. Também, podemos valorizá-las por sua força, criatividade e coragem, não apenas por sua aparência. Temos o poder de preservar a autoestima de nossas garotas e protegê-las.
Em um antigo relacionamento, lembro-me de ter feito a pergunta “por que você me ama?” ao meu ex companheiro e ter ouvido: “porque você é linda”. Aquela resposta me incomodou muito. Na época, eu não soube expressar e nem compreender o motivo.
Hoje, sei bem. “Linda” não é a palavra que contempla tudo que sou. Padrões de beleza não me definem. Eu sei que sou mais. Inteligente, criativa, bem-humorada, compreensiva e muito mais. Eu posso ser tudo, ser muito. E meu valor não está na aparência.
Vou criar minhas meninas de maneira que saibam quando um lugar for pequeno demais para a grandeza delas. Vou ensiná-las que elas não merecem menos que amor, respeito e admiração. Por fim, vou mostrar para elas que são incríveis por serem quem são.
Infelizmente, nem sempre pensei assim. Como já relatado aqui, nos primeiros anos da Júlia fui extremamente rígida e desrespeitosa. Recordo-me de um 8 de março no qual eu encomendei pães de mel somente para mim e minhas irmãs.
Quando fui buscar a encomenda, minha filha perguntou o motivo de não ter para ela. Eu reproduzi o que sempre me disseram: “é Dia da Mulher, você é menina”. Acontece que aprendemos a nos relacionar na infância. E, quanto mais cedo as meninas souberem de sua importância e forem valorizadas e respeitadas, melhor.
Fato é que eu jamais agiria daquela maneira atualmente. No entanto, essa recordação me entristece. Não fosse o pensamento automático, eu poderia ter aproveitado aquela oportunidade para demonstrar para a Jú o quanto eu amava e admirava. E o quanto ela merecia ser bem tratada.
Sabe quais outras lembranças me deixam triste? Todas as vezes que fui orientada a deixar um homem feliz, ao invés de pensar em minha felicidade. As milhares de vezes em que me senti invadida com olhares inconvenientes na rua. Os conselhos para casar e ter filhos quando poderiam ter sido perguntas sobre minhas escolhas.
Hoje vivo uma realidade diferente. Estou em um relacionamento saudável, mudei minha postura e aprendi a enxergar o mundo com um olhar mais crítico. Tenho orgulho da minha trajetória. O único jeito de transformar a realidade é reconhecê-la — por mais difícil que isso seja.
8 de março. Um dia para refletirmos sobre o machismo, preconceito, sexismo e misoginia.
Ademais, sobre a criação de filhos e filhas. Um futuro melhor começa agora. E uma nova geração está sendo criada hoje. Por mim. Por você. O que estamos ensinando para eles e elas ?
Hoje é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Eu e minhas filhas acordamos com surpresa do meu marido. Bombons, uma cesta, carinho e amor. Além disso, em todos os outros dias somos vistas e ouvidas e respeitadas.
Em nossa casa, todo tipo de trabalho é dividido. Inclusive o cuidado. Dialogamos, discordamos, cedemos, resistimos. Respeitamos. Reparamos erros e mudamos. Acredito no poder das relações e na importância de boas vivências na infância.
Um dia, desejo que minhas filhas consigam citar uma lista de qualidades delas. E que, dessa forma, nenhum superficial “você é linda” as encante.



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