Você tem uma criança difícil ?
- Bruna Da Costa Pereira
- 21 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Imagino que, em algum momento, você já tenha se deparado com uma criança "difícil", não é mesmo? Aliás, pode até ser que você tenha parido essa criança. Acho que sabe do que eu estou falando. Aquela criança irritada, explosiva e argumentativa, daquelas bem desafiadoras, capazes de tirar qualquer adulto do eixo.
Bom, caso você já tenha enfrentado uma situação como essa, qual foi sua reação ?Possivelmente, ferveu de raiva. Acertei? Perguntou aos céus: “aonde foi que eu errei? ”. Pode ser que tenha duvidado do seu desejo de ser mãe e se questionado se aquilo acontecia com outras famílias.
Sim, isso é mais comum do que você imagina. Não, o objetivo deste texto não é culpabilizar os pequenos. Ao contrário, a intenção é trazer a responsabilidade para mães e pais. Responsabilidade, não, culpa. Dessa forma, podemos aprender e melhorar juntos.
Por que as crianças agem assim?
A maioria de nós sente a necessidade de estar sempre no controle. Acontece que a criança “difícil” nos faz perceber que não podemos (e nem devemos) controlar tudo e todos. Crianças apresentam comportamentos desafiadores, como as birras, porém, essas são atitudes normais e esperadas para a pouca idade.
Com isso, não quero dizer que é fácil abrir mão do controle e lidar com calma em situações complexas. Em um momento de descontrole emocional da criança, também nos descontrolamos. Afinal, mãe também é gente.
Todavia, convido você a ampliar o olhar diante dos desafios na educação das crianças. Por exemplo, a criança que explode pode estar triste e precisando de um abraço.
Seu filho “respondão” deve estar buscando uma forma de ser ouvido e se sentir pertencente à família. E, talvez, o bebê que chora e se joga no chão esteja apenas com fome ou sono.
O que está por trás do comportamento desafiador?
Lidar com emoções intensas, como a frustração, pode ser bem complicado para muitos adultos. Imagine só para uma criança?
"O córtex pré-frontal, a região mais evoluída do nosso cérebro, responsável pela nossa regulação emocional, começa a amadurecer a partir dos 3 a 4 anos de idade. E o cérebro só fica completamente maduro por volta dos 25 anos. ” Maya Eigenmann.
Por isso, há a necessidade de os pais ampliarem o olhar diante dos desafios e alinhar as expectativas na criação dos filhos. É preciso entender o mundo através dos olhinhos das crianças. Quando se trata da criançada, todo comportamento é comunicação.
Se você acredita ter uma criança difícil, saiba que também não é fácil ser criança.
Entre limites e constantes “nãos”, os pequenos tentam aprender tudo sobre a vida, desenvolver-se e se relacionar.
Diante disso, expressar os sentimentos de maneira comedida pode ser uma missão quase impossível para um cérebro imaturo e em desenvolvimento. Assim como, inibir os impulsos ao manifestar o que incomoda é tarefa para depois da primeira infância.
Difícil é se relacionar
Pois é, educar é um trabalho árduo. Esta é uma verdade quase intragável. Relacionamentos exigem esforço, entrega e dedicação. Principalmente por parte de mães e pais.
Manter uma relação saudável e respeitosa é difícil. Ainda mais quando não vivenciamos isso em nossa infância.
Portanto, é bem provável que você não tenha uma criança "difícil". Talvez o difícil mesmo seja ser criança em um mundo acelerado, cercado de adultos controladores, apressados e impacientes.
Difícil é aprender a desacelerar, compreender o desenvolvimento infantil e nos auto educar para que sejamos mais respeitosos com as crianças.
Fato é que não nascemos sabendo ser mães e pais. Estamos aprendendo fazendo. E cada erro é uma oportunidade de melhorar. Nessa jornada incrível e cheia de aprendizados que é a parentalidade, podemos tornar tudo mais leve e fácil.
Para isso, precisamos estar atentos e dispostos a aprender com as crianças, nossos pequenos (grandes) mestres.
'Se você acha que seu filho tem um problema, olhe para o seu relacionamento com ele. É lá que você encontrará a resposta' Philippa Perry



Olá Bruna, esse assunto é interessante, não tive uma filha "difícil", mas se tivesse, teria que rever todo meu modo de pensar e de viver meu dia a dia para não responsabilizar as outras pessoas pelas atitudes dela.