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Como será quando você não estiver mais aqui ?

  • Foto do escritor: Bruna Da Costa Pereira
    Bruna Da Costa Pereira
  • 29 de nov. de 2024
  • 2 min de leitura

Recentemente fui ao cinema assistir ao filme '"Ainda estou aqui". O filme tem recebido vários elogios e a expectativa é que receba o Oscar também. Como todo brasileiro, estou na torcida.

O enredo trata da família de Eunice e Rubens Paiva e seus cinco filhos. Eunice Paiva vive um drama após militares levarem seu marido de dentro de casa e o matarem nas dependências do Exército. Rubens Paiva era visto como terrorista por ajudar exilados a interagirem com seus familiares por cartas no período da Ditadura Militar no Brasil.

A trama evidencia a força de uma mãe ao mostrar Eunice lutando por justiça ao mesmo tempo que cuidava dos filhos sozinha. Mas, como não poderia deixar de ser, algo me deixou intrigada ao ver no filme como os filhos do casal foram tratados na época.

Em várias cenas pude perceber Eunice tentando não demonstrar tristeza para os filhos. Ela sempre tinha o discurso de que estava tudo bem e que o pai deles voltaria logo. A angústia da casa poderia ser percebida por todos, apenas não era dita.

Dessa forma, percebi o quanto tentamos ser fortes e escondemos sentimentos das crianças. Sentir medo, tristeza ou solidão não torna alguém fraco. E a demonstração desses sentimentos ensina aos filhos que os pais são humanos como qualquer outro, nos conecta.

Quanto mais nos esquivamos de perguntas difíceis ou de conversas que exigem coragem, mais desestabilizamos nossos filhos. A mentira desorganiza. As crianças se sentem perdidas quando percebem que algo não está normal e que ninguém consegue ser sincero com elas.

Lembro-me que em certa parte do filme, uma das filhas mais velhas grita com a mãe e reclama por não saber a verdade sobre o pai. Sabe o que acontece? Ela ganha um tapa na cara. Entendo a carga emocional da mãe, sei que o tapa veio de um descontrole aceitável para o momento vivido.

Apesar disso, os filhos não precisam ser nossos lixos emocionais, onde despejamos toda nossa raiva e frustração. Acredito que uma conversa sincera e honesta amenizaria muitos desconfortos vividos pela família. Acontece que queremos tanto proteger os filhos que acabamos deixando eles de lado em situações desafiadoras, perdidos e sozinhos.

Em minha opinião, quanto mais conversas corajosas, mais conexão. Quanto mais conexão, melhores são os relacionamentos. Caso seja preciso que todos chorem juntos, chorem. Porque quando tudo passar e você já não estiver aqui...restará apenas a memória boa de tudo que viveram juntos. A verdade salva relações.



Livro "Ainda estou aqui", de Marcelo Rubens Paiva: https://mercadolivre.com/sec/2j7sf2S


 
 
 

2 comentários


Rosi Moreira
Rosi Moreira
30 de nov. de 2024

Estoy muy emocionado de ver esta película. Mucha gente me habló de esta mujer... Ciertamente, cuando demostramos nuestras vulnerabilidades a nuestros hijos, estamos demostrando lo valientes que pueden ser. Hermosa publicación. ¡Felicidades!

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Bruna Da Costa Pereira
Bruna Da Costa Pereira
02 de dez. de 2024
Respondendo a

Obrigada, Rosi.

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