O maternar e as redes sociais
- Bruna Da Costa Pereira
- 2 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
Primeiramente, quero agradecer a todas (os) que leram meus textos. Venho recebendo vários elogios e fico extremamente feliz e emocionada. Sinto-me orgulhosa por defender a infância e estender a mão para auxiliar mães e pais por esse mundão. Aos pouquinhos, vamos construindo um mundo que olha para a infância com respeito.
E nada melhor que comemorar com outro texto, não é ? Pois bem, podemos perceber uma onda de perfis que tratam de maternidade, paternidade ou criação de filhos nas redes sociais. Um verdadeiro boooom de cursos, mentorias, imersões e lives que prometem ajudar mães, pais e cuidadores a educar melhor os pequenos.
Mas, você já parou para pensar se todo esse conteúdo faz bem para nossas relações com as crianças? É mesmo necessário estudar para aprendermos a nos conectar com os filhos ? Tudo isso não passa de marketing ou estamos diante de uma revolução na parentalidade?
Obviamente, sou alguém que defende e luta por uma transformação nas relações entre pais e filhos. Infelizmente, já fui a pessoa que acreditava na educação tradicional, assistia Supernanny e educava com gritos e palmadas. Em minha transição aproveitei a imensidão de conteúdos sobre Educação Respeitosa da Internet, e isso me ajudou bastante.
Porém, em outros momentos, senti-me culpada e triste ao me comparar com famílias que não conheciam minha história, e as quais eu só conhecia por cortes de poucos minutos no Instagram. Esta aqui é a grande verdade: livros e cursos só serão úteis se adequados à realidade de cada um. Todo aprendizado precisa ser posto em prática de maneira leve e da forma que for possível.
Por isso, se tal influenciadora digital diz jamais perder a paciência com os filhos e isso te causa culpa, desconfie. Se aquela mãe exemplar do Insta quiser te convencer que ter filhos não muda tanto a vida assim, ligue o alerta. Se no story, aquela famosa com milhões de seguidores dança, pula, viaja e dorme a noite toda com um bebê pequeno e você nem lavo o cabelo direito, ignore.
Somente você sabe da sua casa, sua vida e sua história. Principalmente sobre sua criança. Que outra pessoa no mundo conhece melhor seu filho? Diariamente é você quem está acolhendo, incentivando, abraçando e dando beijinho no dodói. Então, nada mais justo que você saiba o que pode ser melhor para o seu filhote, não é?
Depende. Cheguei até aqui por meio de leituras, estudos e acesso a conteúdos de redes sociais. Tenho quase uma dezena de livros na prateleira da sala sobre infância, traumas, comunicação e afeto. Além disso, li artigos científicos, legislações, fiz cursos. Esqueça a intuição para ser mãe. Isso quase nunca funciona. O que funciona mesmo é olhar para aqueles olhinhos brilhantes e perceber suas necessidades. Atendê-las sempre que possível, além de não pirar quando não for.
Estou aqui para te dizer : a vida perfeita das redes sociais não existe. Por trás das câmeras tem criança fazendo birra, mães desesperada, pai exausto e casa bagunçada. Por tanto, tente focar em manter relacionamentos saudáveis, com respeito e diálogo, com escuta, afeto, companheirismo. Não se esqueça que o seu maternar é seu. E que você está realizando o trabalho mais incrível da sua vida.
As redes sociais devem ser ferramentas de interação, não de comparação. Crie comunidades, siga quem te inspira. Curto só o que gosta. Desfaça amizades que te julgam sem ajudar. Afinal, seu seguidor mais fiel te chama de mamãe. E o lugar onde você mais influencia é dentro de sua casa.
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