Formas de lidar com a raiva
- Bruna Da Costa Pereira
- 24 de dez. de 2024
- 3 min de leitura
O que você faz quando está com raiva? Consegue perceber quando algo te incomoda a ponto de despertar sua fúria? Sabe identificar os sinais de seu corpo nesse momento e o que fazer para não explodir? Além disso, conhece maneiras para se acalmar e exercita-as?
Bom, hoje fico mais atenta aos sintomas manifestados por mim em uma situação conflituosa: coração acelerado, tom de voz alto e trêmulo, mãos agitadas e mandíbula tensa. Apesar disso, tenho dificuldades de expressar o que sinto de forma não violenta.
Mas, afinal, por que temos tanta dificuldade de lidar com a raiva?
Na educação tradicional, modelo pelo qual fomos criados, existem alguns sentimentos aceitos; como alegria, afeto e amor, e outros que não são permitidos; vergonha, frustração e raiva, por exemplo. Por isso, ao nos tornarmos mães e pais, replicamos falas repressoras a fim de inibir as emoções das crianças.
Qualquer manifestação de descontentamento dos pequenos, geralmente, é podada pelos adultos. Frases como: “menina bonita não faz assim”, “já está bravo? Sabe nem brincar”, “aí, amarrou o burro” e “engole o choro” são ditas com frequência na maioria das famílias.
Agimos como se a manifestação da raiva fosse uma ameaça. Possivelmente, porque um dia, já foi. Pais descontrolados emocionalmente gritam, batem, punem. Assim, aprendemos que sentir raiva é ruim. Doloroso. Machuca.
Porém, a boa notícia é que agora somos os adultos e podemos fazer diferente. Não precisamos continuar invisibilizando os sentimentos das crianças. Enxergá-las como são e acolher o que sentem, é a melhor forma de nos relacionar.
Podemos, inclusive, aprender com elas (e por elas) a encontrar formas mais acertadas de lidar com os sentimentos, sem descontroles e violência.
Por isso, vou compartilhar um fato que ocorreu há uns dois anos aqui em casa.
Certo dia, a Júlia, minha filha mais velha, estava revoltada com o seu quarto. Entre outras indignações, a cama não a agradava, as paredes precisavam ser pintadas, a decoração necessitava de mudanças.
No meio daquele estresse e reclamações, obviamente, ela ficou muito irritada. Eu, após ouvir suas angústias, percebi que ela estava mordendo uma abelha de pelúcia.
Logo, sem nem pensar e movida pela vontade de “consertar” aquele comportamento, disse: “Júlia, tire isso da boca”. Segura dos seus sentimentos e necessidades, ela respondeu: “não”. Fiquei confusa com a resposta e perguntei o motivo da negativa.
Então, ela me disse que não podia. A Júlia me explicou que o ato de morder a abelha a ajudava a ficar mais calma, e, com isso, ela não sentia vontade de chutar tudo (palavras dela). E eu a entendi.
Entendi por sempre ter sido julgada ao sentir raiva. Por, na infância, ter sido rotulada de “brava”. Eu também sentia essa vontade de socar ou chutar algo. Só não sabia como acalmar.
Com o tempo, passei a me odiar apenas por sentir. Culpava-me por explodir “do nada”. Pudera, não conhecia maneiras de lidar com minha raiva. Jamais fui ensinada a isso.
Eu compreendi que morder a abelha foi a forma que a Júlia encontrou de lidar com sua raiva sem ser violenta. Minha filha, com aproximadamente dez anos, entendeu o que demorei a vida inteira para descobrir. Sentir raiva não é errado. Talvez seja, a maneira que expressamos ela.
Portanto, não há problema em sentir. Deveríamos aceitar todos os sentimentos, validá-los e acolhê-los. Ao invés de reprimir, deveríamos aprender sobre a raiva. Ela tem muito a nos dizer.
Nessas horas, precisamos encontrar maneiras de voltar à calma e depois agir sem violência. Algumas pessoas, precisarão respirar fundo e ficar em silêncio. Outras, irão se movimentar e dar uma volta no quarteirão. E, ainda, terão as que morderão uma abelha de pelúcia.
Compartilhe nos comentários sua forma de lidar com a raiva.
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Filme recomendado: Divertidamente 1 e 2



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